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23 fevereiro, 2013

Pela primeira vez

E ela nem amanheceu, porque o dia dormiu ao seu lado, e a noite foi sol...

20 fevereiro, 2013

Capacidades

Vou cantar como falo
Dizendo dos mundos em que vivi
E fazendo música do que não é verdade.
Só vou falar do que não sou capaz de viver.
E quando me perguntarem do que gosto
Direi que sempre gostei do que me fez triste
Porque foi o que sempre me importou
Só o que faz a gente triste uma vez traz alegria de verdade
O resto... O resto é brincadeira.
Serei sincera quando chorar
E rirei quando o trem parar de rodar
E apenas quando ele parar
Na estação que ele mesmo escolher.

08 agosto, 2012

(8)

I think
and maybe I hope
that all the songs that I know
(songs that I know, not that I heard)
are my favorite songs...

a crença da incerteza


Vontades são pequenas variações de humor. E a gente esquece o que quiser esquecer, e guarda o que quiser guardar. O que é hoje não será amanhã. O que permanece é só o que foi ontem e continua sendo hoje.

água de sal

não sei nada(r). nem na água, nem fora dela.

29 julho, 2012

Comparações

Tudo tem comparação. 

A gente compara presente e passado, uva-passa e chocolate branco, som e silêncio, piano e viola. Tudo tem comparação. Chato – isso – às vezes.

Comparar não é só um exercício de dialética, mas um jeito fácil de descobrir o que realmente é e o que dependerá de você para ser: é o que faz com que você desaprenda o valor, o tamanho, a medida, a intenção, a dor, a intensidade. De você mesmo e do outro.
Tudo pode ser comparado, mas só alguns pares de rabiscos da vida podem enfrentar a comparação consigo mesmos.

Há pessoas comparáveis a cheiro de café, a sabor de sorvete ou ao ré com sétima maior. Mas tem gente que intriga. Eu não gosto de gente com cheiro de café. Gosto de gente que tem cheiro próprio e carrega um mundo de coisas divertidas nos olhos. É bonito. Gente que - quase - não existe.
Dessa gente sente-se falta. Sentir falta de alguém é coisa rara. Uma vez eu senti falta.
Não é algo à toa, nem tão grande coisa. Esquecer a ausência ou compará-la a indefinidos já vividos é negligência, pura negligência. Os tolos negam. Os mais tolos se entregam (os mais tolos são inteligentes. Muito inteligentes).

Sinta a falta. Compare-a a ela mesma. Viva em uma chance eterna o que lhe será continuamente motivo de apego, de cumplicidade. Sentir falta de alguém em vida será comparado apenas à morte dessa ausência. A morte de um amor, talvez. Esteja ele vivo ou morto.

21 julho, 2012

Desde quando

Desde quando sou Rafaela, preciso de um algo pra dizer. Deve-se ter algo a dizer, sendo Rafaela, se tristeza ou alegria são percebidas. Se Rafa sofre, Rafa escreve sobre a situação oposta, porque é o seu óbvio. Se Rafa nota alguma felicidade, a menina destrói qualquer rastro de rima fraca que um sorriso proporciona, e escreve sobre profundos sentimentos de calamidade. Coisas dela. 

Quando Rafa não sente, Rafa não tem como escrever. Simples dessa forma porque Rafa vê um pouco além de si; talvez muito. Deve ser por isso que ela sabe o que quer e o que não quer como decisão. Inclusive deve ser por isso também que pode viver como quiser e o que quiser.

Contudo, de onde surgirá o que ela não viveu, se não há o que viver?

A boa poesia de Rafa vem do que ela espera não viver. Ou viver. Contanto que esteja esperando.

Eu me pego sempre achando que a menina Rafa tem certas preferências por histórias que não são dela. Por isso a espera.

Se tem algo em que a boba Rafa é boa, é em si mesma. A melhor Rafaela só poderia dar-se a si mesma e reimaginar-se com fins próprios, em ciclos anuais. Ela vai e volta pra si, e a espera entre uma ida e outra vinda só lhe causa expectativas.

Eu, no que de mim dependesse, teria uma matriz de inspiração pra (às vezes) boba da Rafa. Poderiam ser os sentimentos que ela não teve, por escolher não sentir; coisas minhas que, nela, fazem cócegas! Daria à Rafa motivos suficientes para se sentir magoada ou amante. Mas...mas, mas. 

Mas deixei comigo tudo que é delírio, tudo que é bobo, que se gasta. Dou à Rafa somente a alegria de viver o que lhe cabe e o que lhe devo, o que ela escolhe que eu lhe dê. De mim, ela toma só o que não lhe pertence.

26 novembro, 2011

Rafa em: o amor-tom-de-pastel e a cor-de-amarelo-canário


Nem é amor não. Ah! Mal chega a ser deslize! Tô dizendo, arre! Esse aí tem cor-de-amarelo-canário, e o amor da Rafaela nunca teve cor-de-amarelo-canário. Seus amores sempre chegam em tons pastéis. Duvido que é.

Isso que as pessoas fazem meio que de propósito, tipo amar e ser amado, suspirar, anotar número do telefone no guardanapo, morrer de amor à primeira vista, ganhar buquê de rosas ou ouvir um pedido de casamento ao som de um quarteto de violinos, nunca lhe ocorreram. Sério mesmo! Já a pediram em casamento uma vez (talvez mais de uma): o cara esqueceu as alianças e ‘tava com a mão suja de melancia. Pra ela, até que foi legal.

Rafaela é isso que a gente chama de bonito. Engraçada, rápida, amiga e comedora de brócolis; entende de quase nada e ri de (quase) qualquer coisa. Seu jeito de ser feliz inclui o que de mais bacana há na vida, como a chuva, o estacionamento grátis, a cozinha da casa da mãe, as meias nos pés frios, o cartão fidelidade do drive thru, o brigadeiro, as azaleias, o cafuné e as pessoas. Rafaela, quando ama os amigos, a família, o ré maior com sétima aumentada (D7+), as hortências, a panqueca, o cheiro de maresia e o Tobi, ama em amarelo. Tons pastéis são pras coisas que ela decidiu amar. O que ela ama desde sempre tem cor de canarinho...

A Rafaela dá risada e nem leva isso a sério, mas amou com amor-tom-de-pastel, como diria o amigo intrometido que lhe ensinou a ser menina. Amor-tom-de-pastel não tem cor-de-amarelo-canário, oras. 

Os amores-tom-de-pastel da Rafa chegavam a enjoar. Ou enjoavam, ou davam sono. Como todo mundo diz por aí que (antes de continuar, transponha sua voz para uns três tons abaixo, meio grave, só pra dar um ar de “verdade“) [diz que] “amor é decisão”, a nossa cidadã, inteligente e sensata como é, decidia. 

Decidir, sim, ela decidia, mas num amava não. Só pensava, só que... ih, necas. Eram pensamentos com cor-de-árvore (uma variação do tom pastel, com gosto de feira de domingo sem beterraba fresca). Ninguém se espanta com isso porque todo mundo acha a Rafa incomum. Chulé eu sei que ela já cheirou, mas isso não faz uma pessoa incomum, faz? Ah! Quem cheira chulé, meu Deus?

Faz um tempão que essa garota percebeu o equívoco da fórmula que amarra a pessoa amada em dois ou três anos com algumas frases clichês, que nem as de filme de comédia romântica.

Antes de decidir, ela precisa reconhecer. Pressentir. Quando a cor-de-amarelo-do-Sol hoje cedo ficou parecida com a cor-de-amarelo-canário, Rafaela teve certeza, contudo, não se assustou: ela nunca havia amado. Amada, sim. Foi até bastante. Mas um amor que não era nem riso, nem poesia, nem cor-de-amarelo-canário, que nem essa que ela começou a ver lá fora. 

11 setembro, 2011

Qualquer hora dessas

Sentimento é um pensamento sobre o sonho, que acontece quando o monólogo da ideia vira diálogo com a probabilidade. Pra sentir, tem que querer sentir.

08 agosto, 2011

O amor e a Rafa

Rafaela não tem meio de saber como viver. Aconteceram algumas coisas estranhas em um número restrito de dias que a fizeram duvidar do sol, do mar ou da lua. Eu explico.
Cabe às pessoas movidas por sentimentos altruístas pensar nos elementos do universo como embriagados de beleza, interjeições e suspiros, que revelam poesias narrativas de transfigurações mórficas, existenciais, dualistas, pseudônimas (ou não), alem de afetuosidades excessivamente constantes. Eu também não entendi o que escrevi. Bem complicado. Mas é isso tudo aí que chamam "amor".
Rafaela desconfia de que vive uma transfiguração emocional e, felizmente, não sabe viver: nem ela mesma, tampouco as transfigurações. Rafaela está longe de suas interjeições por apenas um passo de fé. Ela precisa crer no amor. Precisa ver nele a sua perda de autonomia e a sua vitória como mulher. Ela precisa vencer, mesmo que signifique perder.
Rafaela espera algumas respostas do sol, da lua e dos elementos bêbados de apaixonismos, mas eles, todavia, esperam que, antes do primeiro gole de sua embriaguez, Rafaela tome-se de si e admita que é capaz de dizer a verdade. Admita que a menina possa até não querer, não conseguir por sua suficiência, não honrar a confissão, não desejar que assim seja, não vislumbrar futuros e previsões, mas que admita, menina. Admita que pensar sobre diversas coisas abre-lhe os olhos como rotina, mas que apenas o pensamento sobre ele lhe abriu o coração.
Admita, Rafaela, que ele lhe vê e que você o tem.
Admita que pode ser amor e que as interjeições e suspiros inexistentes diante da beleza da vida passaram a ser reais na presença da felicidade. Você não quer viver pra si. Existe um suspiro que liga você a outro, Rafaela. Admita que quer viver o amor, mesmo que ele seja válido como férias de si mesma, mesmo que ele seja válido como .... nada.
Ele só quer sua confissão.
Junte suas pernas ao seu corpo, Rafa, e segure seus pés com suas mãos. Dobre sua cabeça em respeito a si mesma, encolha-se consigo e veja que dentro dele, o outro, já vive o amor que é seu.
Você se deu, pequena Rafa. Você se deu. Você perdeu a firmeza do juízo sobre o amor e não sabe viver o que sente. Você soube discursar a lua, mas não soube vivê-la até então. Viva a lua! E permita que ele creia também, Rafa. Deixe que ele veja. Deixe que ele seja seu silêncio e seu ruído, seu rumo talvez perdido, seu sorriso bêbado de sol ou de lua.
Rafa, diz pra ele voltar. Volta, amor, volta. Vem pra perto e fique junto do que eu sei. Volta logo e me diz que de mim sentiu falta e que essa vida sentido nenhum tem quando a minha letra você não lê. Volta, amor, e termine o que começou.. termine de me amar e ame outra, me faz livre de novo. Ama-me e faz-me livre de novo. Ama-me e deixa-me. Eu preciso de mim mais uma vez.

05 agosto, 2011

Baita escuridão.

Claro que eu não vou asseverar de maneira cruel e unilateral que a escuridão é a ausência da luz. Muito pelo contrário, é o seu pleno comparecimento.

23 maio, 2011

O outro de qualquer um

A Rafaela gosta muito da palavra 'ideia'. Talvez porque essa palavra sofreu uma recente alteração, assim como ela. A palavra ideia não tem mais acento.

Não entendo como isso possa justificar a preferência da Rafa por essa palavra, mas parece que ela tem se importado muito com o fato de ter ou não ideias, novas ou antigas; ou apenas justificar porque ela insiste tanto em conviver com a ideia.

Claro, a Rafa é bastante criativa. É a pessoa pra qual você ligaria às 2 da madrugada pra pedir uma sugestão de um nome em hebraico pra um sanduíche que você acabou de inventar, ou o tipo de pessoa pra quem você teria, sem nenhum antecedente, coragem de confessar o que planeja pra amanhã.

Não me assusta saber que a Rafaela espera que as suas ideias a salvem de si mesma. Quando se sente dominada por uma meia dúzia de problemas e enxerga sempre a mesma saída, Rafaela não desenvolve pensamentos positivos. Ela cria saudades de si mesma. Rafaela foi sempre a garota que, apesar de inteligente, só descobriu quem era depois de negar a si mesma. Dessa maneira ela pode ser o outro de qualquer pessoa, apenas abrindo mão de quem é e sendo quem precisa ser.

Rafaela decidiu, para o bem próprio, viver sempre em crise de identidade e, talvez, hipoteticamente, irá se arrepender. As ideias que tem sobre si mesma são as mesmas e nunca se alteraram, mas é grande a chance de que tudo o que decidiu ser desista dela em um instante. A vida tem surtido efeito em sua tolerância.

Rafaela ressente-se de precisar ser o eu de outra pessoa e entende que é a maneira mais tola de resistir à própria dignidade. Ela quer a ajuda dela mesma e anota em qualquer papel perdido essas palavras que de repente aparecem na cabeça da gente... coisas soltas que podem revelar mais do que a gente sabe sobre quem é... Rafaela é mais do que eu sei sobre ela. Rafaela é pura, é criativa, é criança, é adulta. Rafaela é tudo que alguém pode ser pra si mesmo. Mas, ainda sim, Rafaela é outra.

Eu não a posso dizer da maneira como sonho, mas eu a admiro. Rafaela é a ideia que todos querem ter de si. Rafaela é a própria extensão da criação.É a afirmação de possibilidades. É a única causa de alguém ainda resistir e nunca poderá salvar a si mesma da derrota de ser. Rafaela é a ideia de quem prometeu se esquecer.

28 abril, 2011

Confessei

A questão é que existe um momento certo pra confessar.
Tenho me acostumado a jogar um colchão no chão, deitar sobre ele e esperar. Às vezes espero com as pernas cruzadas formando um 4, balançando um dos pés sem nenhuma ansiedade, mas curiosamente apressados. Outras vezes eu espero dormindo. Quando durmo fico em dúvida se faço a coisa certa ou não, porque dormir é praticamente uma confissão exata do mesmo medo toda noite. Ou você confessa sobre si, ou você confessa sobre o outro (são os sonhos). Me cansa porque eu já planejei deitar e dormir imediatamente, mas nunca mais fui dona desse momento. Já fui antes. Eu gostava de conversar comigo, me contar o dia e todas essas esquisitices que a gente revive antes de dormir. Queria ser assim mais algumas vezes, talvez duas ou três; só o suficiente pra escolher com o que sonhar. Quando a gente escolhe o que sonha é porque não tem o que confessar. Quando confessa todos os dias é porque não sabe entender o que existe e o que não existe - o sonho e a confissão.

16 março, 2011

No verso do papel

No verso de um papel não usado a Rafa promoveu mistérios.
Todos eles continuarão insolúveis se Rafaela não se pronunciar dona de uma ideia.
A menina diz palavras quando quer. Mas, só desta vez, emudeceu involuntariamente.Por dias.
Ela quer uma fixação, uma coleção, um dom pra desenhar ou tocar piano...
Ela quer conversar com qualquer um que precise mais dela do que de sua perplexidade.
Ela quer ter sono só mais uma vez, só pra não mais acordar.
Quer um bebê no seu lugar, notas leves e controversas.... quer recriar uma tristeza só pra que a mesma música traga a ela o alívio necessário. Só o fundamental, alívio sem sobras ou desperdícios.
Quer parar de nascer e deixar viver em qualquer lugar quem ela mais entende ser.
Rafaela quer uma história que ela não escreva, mas que sua música toque.
Quer continuar a não entender nada, mas a esperar por tudo.
Esperar é a mais cruel das virtudes e ela, justo a Rafaela, a possui.
Só por isso os mistérios continuarão sendo mistérios e Rafa não deixará de nascer.
Ela espera, e virtudes como essa não são dispensáveis.
É o mundo medieval de Rafaela, que só poderia ser escrito no verso de um papel em branco.

23 fevereiro, 2011

Matei um mosquito

Matei um mosquito.
Acho que isso significa que a vida ainda existe.Estou aqui; ele não.
Não tenho dificuldades com a morte ou expectativas quanto aos sepultamentos. As pessoas têm um certo respeito clichê pelo luto. Respeito por suas próprias culpas pós mortem ou seu desinteresse pelo morto desconhecido. "Prestam sentimentos" e não se relacionam bem com as questões do fim da existência.  Ora, se não há o que compreender da morte a não ser que ela reforça a vida, eu, de minha parte, não entendo. Apoio que enlutem-se as pessoas pelo que acharem apropriado, uma ou outra. Sério. Se existe diferença entre as mesmas eu não posso enxergar e em nada me sinto alterada quanto às circunstâncias naturais. Contudo, essa necessidade da tristeza e essa entrega ao prazer do luto deixam-me no desconforto. Vivam-no aqueles que o visitarem. Sério. Enlutem-se. Eu simplesmente não entendo toda essa comoção, o que torna as coisas muito mais difíceis pra mim. Isso é difícil de fingir. 

Design

Meu momento favorito é quando posso fingir que estou sozinha. Completamente sozinha. Talvez depois de uma grande tragédia, uma guerra ou de uma profunda tristeza, tanto faz; contanto que não sobre ninguém pra eu fingir que me importo. Eu seria algo diferente do que não sou. Libertador.

29 dezembro, 2010

Ofício

Meu nome? Rafaela. Meu trabalho é inventar problemas para que eu mesma os resolva.
Este é o meu trabalho.
Eu crio problemas, oriundos do nada, para que eu mesma os resolva.
E cada vez eles estão ficando mais difíceis.
Tão difíceis que eu não sou mais capaz de inventar as minhas próprias soluções.

12 dezembro, 2010

uma de mim

Decidi me sentar e escrever sobre uma de mim.
Ajuda olhar pros cacarecos que tenho aqui por perto. Bom, na verdade não são cacarecos porque tenho um pouco de compulsão por jogar coisas velhas fora. (tudo bem, não só as velhas...qualquer coisa é jogada fora por aqui). Não tenho recordações de nada. Apenas de cidades: chaveiros.
Fora isso, recordações não são o meu forte. Não armazeno bilhetes, cartões de aniversário, de natal ou de prezada estima porque eles um dia deixarão de ter sentido, assim como quem os enviou. Não tenho o mínimo receio de ceder ao lixo presentes dos quais tenha ou não gostado, ou peças de decoração que marcaram uma ou outra época.
Desapego-me de quase todos, até porque minhas superficialidades são etéreas: histórias passageiras e sem fundamentos que podem ser ditas e re-ditas sem medo bobo de se tornarem fofoca. Qualquer um pode saber. O que é meu guardo comigo e ninguém que me considere estabanada, falante ou feliz demais conhece algo de mim além de banalidades. Na verdade, conhecer-me é pra quem o sabe.
Permito que as pessoas percam de mim o que nunca terão. Não sou uma ou duas, sou sempre mais e, por isso, não sou ninguém.
Sonho sim.
Sonho com virar a esquina e dar de cara com alguém que não me deixe ser assim pra sempre. Sonho em ter álbuns de fotografias, guardanapos rabiscados e músicas preferidas.
Ser como eu dói. Ser como eu faz doer. Não pense que mais alguém sabe quem sou. Somos 4 e assim permaneceremos. Né, Rafa? Amamos ser 4.

01 dezembro, 2010

Eu, particularmente, não gosto de conversar com a Rafaela.

Por ser avessa, cheia de si, orgulhosa e doída, Rafaela sabe interromper uma ideia, discutir um nome qualquer ou calar a qualquer nome. Quando é mortificada pelo excesso de ausências, Rafa tem seu ego machucado. Rafaela ignora-se existir.

Tente pedir clemência, assistir um seriado em sua companhia, levá-la à sorveteria - sua casa de repouso - chorar ou dizer-lhe toda a verdade. Ela não irá crer. Não irá. Mesmo que lhe precise.

Poderá amar, logo quando perdoar. Ou perdoar, por amar.

Se você a tiver, saberá que Rafaela é melhor do que eu. Tem seus avais e dotes intelectuais defendidos e promovidos por sua excelência.

Saberá que Rafa entende de si mesma e que professa a letargia, movimento que elegeu como fé.

23 novembro, 2010

quitação

e aí a rafa fez as contas do quanto gostaria de que tudo fosse como o planejado. em tese, rafaela é desorganizada. métodos desorganizados, ansiosos, comportamentos desautorizados; bom, ela é ela mesma: tem preguiça dos jogos que os seres humanos inventam para subjetivar. rafaela imagina com realidade.

sinceramente, rafaela tem estado invadida, como seu cachorro diria. ontem conversaram e tobi andou dizendo coisas fortes que a deixaram desestimulada. tobi sempre aconselha rafa a não assumir problemas que não existem, porque os problemas que não existem levam-na a lugares comuns, apreciados por comuns, mas que ela, a rafaela, mede com pavor.

tobi percebe esse desajustamento quando a menina chega em casa sem ouvidos.

ela até finge não entender olhares e movimentos, mas, se não os entender, como poderá preparar-se para um prolixo posicionamento a respeito dos problemas inexistentes? - quem não lê qualquer um dos cinco sentidos é indigno de paciência, tobi asseverou. ela contra-argumenta essas ideias como quem defende o último pão de queijo da cestinha. tobi insiste em olhar piadisticamente, avisando que rafaela continua falhando em cada frase solta. claro, tobi entendeu que rafaela dissimulou não saber.

com certeza, tobi também gosta de jogar com rafaela. e ele anda devendo muito tudo sobre como deixou acontecer com a supracitada (rafaela usa sempre essa palavra quando se perde no argumento) qualquer coisa assim, inexistente. não a defendeu. não percebeu seu estado limítrofe e, hoje, assaltada, rafaela voltou a guardar tudo que tem. ninguém tem acesso, ninguém mexe. ora, vejam só se rafaela daria de si a quem não lhe sabe.

seu mundo será de quem não tiver explicações. sem jogos ou problemas criados à toa. rafaela. menina complicada, mas que sabe ser de alguém.

tenho inveja; eu não sei. assim não.